Estetoscópios superam mãos como vectores de transmissão de infecções
DATA
28/02/2014 08:00:39
AUTOR
Jornal Médico
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Estetoscópios superam mãos como vectores de transmissão de infecções

MayoResultados de um novo estudo, publicado na edição deste mês da revista Mayo Clinic Proceedings, revelam que os diafragmas dos estetoscópios utilizados pelos médicos, são mais contaminados dos que as eminências tenares dos clínicos, após um exame clínico simples.

Apesar de se saber que as infecções nosocomiais resultam, na maioria dos casos, da contaminação das eminências tenares dos profissionais de saúde, os estetoscópios utilizados pelos médicos parecem desempenhar um papel importante neste tipo de infecção.

Para estudar a matéria, investigadores dos Hospitais Universitários de Genebra quantificaram o grau de contaminação bacteriológica nas mãos e nos estetoscópios de clínicos, após a realização de um exame físico simples de um doente.

[caption id="attachment_7174" align="alignleft" width="300"]DidierPittet “Do ponto de vista do controlo da infecção e da segurança dos utentes, o estetoscópio deverá ser encarado como uma extensão das mãos dos médicos e ser submetido a procedimentos de desinfecção após o contacto com um doente”, defende o principal autor do estudo, Didier Pittet, dos Hospitais da Universidade de Genebra[/caption]

“Tendo em conta que os estetoscópios são utilizados repetidamente ao longo do dia, estando em contacto directo com a pele dos doentes, muitas vezes contendo milhares de bactérias (incluindo staphylococcus aureus resistente à meticilina) provenientes de doentes examinados anteriormente, consideramo-los como importantes vectores de transmissão”, explicou Didier Pittet, Director do Programa de Controlo da Infecção e colaborador do Centro de Segurança dos Doentes da OMS, dos Hospitais da Universidade de Genebra. “Do ponto de vista do controlo da infecção e da segurança dos utentes, o estetoscópio deverá ser encarado como uma extensão das mãos dos médicos e ser submetido a procedimentos de desinfecção após o contacto com um doente”.

Neste estudo, 71 doentes foram examinados por um de três médicos envergando luvas e estetoscópios esterilizados. Após concluído o exame físico do doente, duas partes do estetoscópio (o tubo e o diafragma) e quatro áreas da mão dos médicos (costas, ponta dos dedos e eminências tenares e hipotenares) foram sujeitas a análises de modo a quantificar-se o número de bactérias presentes em cada uma delas.

[caption id="attachment_7175" align="alignleft" width="300"]infecçãohospitalar Os resultados mostram que o diafragma do estetoscópio se encontrava mais contaminado do que todas as regiões das mãos, à excepção das pontas dos dedos. Mais: descobriu-se que o tubo do estetoscópio estava mais contaminado do que as costas das mãos dos médicos que participaram na experiência[/caption]

Os resultados mostram que o diafragma do estetoscópio se encontrava mais contaminado do que todas as regiões das mãos, à excepção das pontas dos dedos. Mais: descobriu-se que o tubo do estetoscópio estava mais contaminado do que as costas das mãos dos médicos que participaram na experiência.

Este estudo foi o primeiro que comparou directamente o nível de contaminação das mãos e estetoscópios dos médicos. De acordo com os investigadores, a contaminação dos estetoscópios não é “trivial” sendo mesmo comparada com a contaminação da ponta dos dedos dos profissionais de saúde após contacto com a pele de doentes. Assim, recomendam, é necessário que, para além das mãos, os médicos passem a desinfectar os seus estetoscópios sempre que terminam o exame físico de um doente.

 

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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