Corte de água a centros de Saúde abre polémica com Câmara Municipal
DATA
29/04/2014 18:38:26
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Jornal Médico
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Corte de água a centros de Saúde abre polémica com Câmara Municipal

Tap with a drop of water

O Serviço de Saúde da Madeira (SESARAM) criticou hoje a “grande irresponsabilidade” da Câmara de Santa Cruz, que cortou o fornecimento de água a várias unidades de saúde do concelho devido a uma dívida de 75 mil euros à autarquia.

“O corte de abastecimento de água a uma unidade de saúde, em especial de internamento, revela por parte dos responsáveis da Câmara Municipal de Santa Cruz uma grande irresponsabilidade e falta de sentido do cumprimento do princípio da prossecução do interesse público, que deve nortear toda a actividade administrativa”, considera o SESARAM em comunicado.

Aquele serviço adianta que o seu objectivo era fazer um “encontro de contas”, uma vez que o município de Santa Cruz deverá “a quantia de cerca de 101 mil euros, relativa à prestação de cuidados de saúde aos seus funcionários”.

Assim, “era intenção do SESARAM, a exemplo do que tem vindo a fazer com outras entidades autárquicas, proceder ao encontro das respectivas contas, até porque, como é bom de ver, a dívida da Câmara de Santa Cruz ao SESARAM é de valor superior à que este tem com aquela”, sublinham os responsáveis pelo sector da Saúde no arquipélago da Madeira.

A autarquia de Santa Cruz, em comunicado, argumenta, por seu turno, que “as dívidas do SESARAM à Câmara quanto ao abastecimento de água são independentes e são tratadas por sectores distintos e não têm paralelo com as dívidas que a actual autarquia herdou do PSD relativas à prestação de cuidados de saúde aos seus funcionários”.

“Não se conhecem casos em que os serviços de saúde sejam pagos em água”, sublinha a Câmara Municipal, salientando que “a dívida ao SESARAM já está a ser paga pelo actual executivo camarário”.

O município sustenta que, “ao contrário do que afirma o SESARAM, a Câmara de Santa Cruz não decidiu unilateralmente cortar o abastecimento de água”, destacando que “a autarquia notificou o SESARAM e outros serviços, mas não obteve qualquer resposta, ao contrário do que seria exigido a uma gestão responsável e em nome do respeito que deve existir entre instituições”.

Aponta, ainda, que “existiam tanques de reserva de água que seriam suficientes para não fazer perigar a prestação de cuidados de saúde”, concluindo que toda esta situação poderia ter sido evitada “se tivesse havido diálogo e bom senso, ou seja, se o SESARAM tivesse tido a responsabilidade de responder, atempadamente, à Câmara Municipal de Santa Cruz”.

O fornecimento de água potável a alguns centros de saúde e à unidade de cuidados continuados do Atalaia foi suspenso na manhã de segunda-feira pela autarquia devido à dívida do SESARAM.

Fonte do SESARAM disse à agência Lusa que o corte do fornecimento de água "foi apenas transitório, foi uma questão de horas e não colocou em perigo os cuidados de saúde". Segundo a mesma fonte, "parte das dívidas já foram liquidadas, tendo sido estabelecido um plano de pagamento", tendo o SESARAM liquidado à autarquia 26 mil euros e a Câmara de Santa Cruz liquidado 46 mil ao Serviço de Saúde da Madeira.

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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