Os presidentes das câmaras de Loulé e São Brás de Alportel estiveram ontem em protesto frente à entrada da Urgência Básica de Loulé onde a falta de médicos tem impedido o atendimento dos utentes daqueles concelhos e montaram um gabinete de atendimento aos utentes à porta da SUB de Loulé.
Há vários meses que vêm a público notícias de ruptura de pessoal e material no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé e, esta terça-feira o SUB esteve impedido de abrir entre as 8H00 e as 09H15 por falta de médicos, situação que se repetiu ontem das 8H00 às 11H20.
"As carências são muitas ao nível de materiais, de pessoal e penso que já chega, temos de dizer basta", disse o presidente da câmara de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro (PS).
Na base do problema está uma luta para a atribuição de responsabilidade dos SUB algarvios entre a Administração Regional de Saúde e o Centro Hospitalar do Algarve (CHA). Apesar do despacho do Ministério da Saúde no final de Maio, que passa a responsabilidade de gestão daqueles serviços para o CHA, o presidente do conselho de administração, Pedro Nunes, tem vindo a afirmar que aquele centro hospitalar só vai assumir os SUB quando forem transferidas verbas para o efeito.
Enquanto a situação não é resolvida, a câmara de Loulé tem vindo a empenhar esforços e meios para resolver situações pontuais, tendo Vítor Aleixo explicado que o município já forneceu tinteiros para as impressoras do Centro de Saúde de Quarteira, paga os postos de atendimento do interior do concelho, tem disponibilizado viaturas para as consultas de ambulatório e vai passar a pagar, pelo menos num caso, a deslocação de médicos para o interior do concelho.
"Nós tapamos buraquinhos porque achamos que o devemos fazer para resolver situações pontuais, mas isto não precisa de resolução de situações pontuais, precisamos de alterações profundas", acrescentou Vítor Aleixo.
"Esta situação arrasta-se e é uma situação extrema. Para situações extremas, respostas equivalentes e à altura", disse o presidente da Câmara de Loulé. Segundo autarca, "o braço de ferro" vai durar até que o Ministério da Saúde dê garantias concretas.
O mapa de pessoal do SUB de Loulé contempla 11 médicos, 16 enfermeiros, seis assistentes técnicos e seis assistentes operacionais, mas de acordo com um comunicado ontem divulgado pelos deputados do PCP, tem actualmente sete enfermeiros, mais dois cedidos pelo Centro de Saúde de Loulé desde 1 de Junho, dois assistentes técnicos e quatro assistentes operacionais.
Os turnos da noite são assegurados por dois médicos por turno do Centro de Saúde de Loulé e os turnos do dia que até 1 de Abril eram assegurados por médicos cubanos e por empresas de trabalho temporário, passaram a contar apenas com os profissionais enviados pelas empresas de trabalho temporário, resultando nas dificuldades denunciadas.
"Há muitos [médicos] contratados por empresas que a Administração Regional de Saúde contrata para prestar serviços de saúde nos Centros de Saúde que estão em situação ilegal, sem contratos, sem direitos", contou o presidente da Câmara de Loulé.
O presidente da câmara de São Brás de Alportel vincou que os problemas vividos naquele serviço em Loulé ainda que mais acentuados também são vividos noutros serviços da região, dando como exemplo a falta de auxiliares no SUB de Albufeira.
"Se ouvirmos o que é transmitido pelo Ministério da Saúde, aquilo que ouvimos deixa-nos tranquilos porque a mensagem que passa é que são situações pontuais, que não está tão mal como aquilo que se diz e algumas situações que estão menos bem vão ser resolvidas de imediato", concluiu o autarca de São Brás de Alportel.
Em comunicado, o deputado socialista Miguel Freitas manifesta-se solidário com as populações e autarquias de Loulé e São Brás de Alportel “esta situação degradante para todos encontra fundamento no desinvestimento nos serviços de saúde no Algarve, no conflito entre a Administração Regional de Saúde e a Administração do Centro Hospitalar do Algarve, que tem tido como consequência falhas graves e serviços encerrados nos SUB”.
Perante os últimos acontecimentos e com os dados recolhidos sobre os cuidados primários de saúde no Algarve, Miguel Freitas refere ter em fase de conclusão um Projecto de Resolução, onde vai recomendar ao Governo um conjunto de acções para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde na região.
A clarificação das competências de gestão dos SUB é entendida por Miguel Freitas como medida vital para a resolução das faltas de material e de recursos humanos que têm ocorrido, assim como a abertura de concursos para a contratação dos profissionais em falta e a manutenção de Centros de Saúde e respectivas extensões de saúde no interior algarvio.
O deputado algarvio do PCP Paulo Sá questionou ontem o Ministério da Saúde sobre quais as medidas que o Governo pensa adoptar para que o SUB de Loulé possa funcionar normalmente.
O Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços Públicos de Saúde de Loulé lançou uma petição on-line, no portal “Petição Pública” que pugna pela garantia de que o Centro de Saúde de Loulé e o SUB se mantenham a funcionar a 100%.
O mesmo grupo está a convocar a população para uma romaria ao Centro Hospitalar do Algarve para o dia 18 de Julho, pelas 18H00 com o objectivo de pedir explicações sobre esta situação.
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