A directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo disse hoje que "a falta de cerca de 20 médicos" é o grande problema dos cuidados de saúde primários na região.
"Temos cerca de 40.000 utentes sem médico de família, num universo de 235 mil utentes, que representam 17% do total de utentes inscritos, sendo que esta situação só se resolve definitivamente com a vinda de mais médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar para os locais carenciados", disse Sofia Theriaga à Lusa.
O ACES do Médio Tejo abrange 11 municípios, com o problema da falta de médicos a fazer-se sentir, "em especial", nos concelhos de Abrantes, Sardoal, Torres Novas e Ourém.
Para "minimizar" a situação, a directora executiva daquele ACES afirmou "ter vindo a recorrer à contratação da prestação de serviços médicos à hora", solução que considerou não ser a ideal, mas a possível no imediato".
Sofia Theriaga perspectivou que, na região do Médio Tejo, "o problema da falta de médicos não se vai resolver a curto prazo".
A responsável pelo ACES criticou, por outro lado, algumas propostas apresentadas pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), que alega serem baseadas na apreciação de que a região tem "uma boa oferta hospitalar e uma muito má oferta dos cuidados primários de saúde".
"Referir que o Médio Tejo dispõe de uma má oferta de cuidados primários de saúde é uma apreciação ligeira e incorrecta, representa um contributo muito negativo na motivação das equipas e, em especial, para o esforço de captação de profissionais para os centros de saúde", defendeu.
A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), que tem manifestado preocupação com a qualidade da oferta ao nível dos cuidados de saúde, aprovou no sábado, por unanimidade, a criação de uma Carta de Saúde Regional.
A presidente da CIMT, Maria do Céu Albuquerque, defendeu a realização de estudos sobre as mais-valias da criação de uma Unidade Local de Saúde (ULS) no Médio Tejo, naquela que seria "uma única entidade pública empresarial dos hospitais e dos centros de saúde existentes na região".
A directora executiva do ACES afirmou que o modelo de organização proposto pela CIMT "não apresenta vantagens comprovadas para os utentes".
Para Sofia Theriaga, "dizer e escrever o contrário, sem demonstração de evidência de que um modelo é absolutamente melhor do que outro, é traduzir convicções sem suporte de demonstração e é um exercício estéril e que em nada contribui para resolver o problema" da falta de médicos de família no Médio Tejo.
"Mudar por mudar, só para dizer que se muda, não vale a pena", notou.
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