A petição popular contra a eventual entrega da gestão do Hospital de Barcelos à Santa Casa da Misericórdia vai ser discutida na quinta-feira, na Assembleia da República.
No mesmo dia, será também debatido um projecto de resolução do Bloco de Esquerda (BE), que reivindica igualmente a manutenção na gestão pública daquele hospital e a contratação de mais profissionais de saúde.
A petição popular reuniu cerca de 5.000 assinaturas e foi dinamizada pelo Movimento de Defesa do Hospital Público de Barcelos.
"Queremos que a gestão se mantenha na esfera pública, para que Barcelos continue a ter um hospital efectivamente para todos. E queremos também que algumas especialidades sejam melhoradas e reforçadas", disse a porta-voz daquele movimento, Isaltina Coutinho.
A Assembleia Municipal de Barcelos também já aprovou, por unanimidade, uma moção contra aquela devolução, considerando que a sua concretização significaria "andar décadas para trás".
"Nada nos move, em particular, contra a acção da Misericórdia de Barcelos, que deve prosseguir na sua actividade de assistência social, mas não pode de maneira alguma substituir o Estado nas suas funções, consagradas na Constituição, de garantir o direito à saúde a todos os cidadãos portugueses, independentemente do seu credo religioso ou condição económica", refere a moção.
O presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, até já admitiu que, se o Governo assim o entender, o município poderá estar disponível para assumir a gestão do hospital público da cidade, para evitar a sua entrega à Misericórdia.
O provedor da Misericórdia de Barcelos, António Pedras, assegurou publicamente que a gestão do hospital da cidade será devolvida à Santa Casa.
O Governo está disponível para transferir a gestão de alguns hospitais para as Misericórdias, desde que estas assegurem uma redução de custos para o Estado de, pelo menos, 25 por cento.
Outra condição é que os hospitais cuja gestão for entregue às Misericórdias mantenham os serviços actualmente prestados no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.
Haver mútuo acordo entre as partes, capacidade de gestão adequada e todo um conjunto de requisitos operacionais são as outras condições para a eventual devolução dos hospitais às Misericórdias.
O hospital de Barcelos presta cuidados de saúde à população dos concelhos de Barcelos e Esposende, que ascende a 154 mil pessoas.
Com 117 camas e mais de 500 trabalhadores, tem nível de urgência médico-cirúrgica, dispondo de urgência de tipologia pediátrica e geral.
Segundo o Bloco de Esquerda, o hospital debate-se com um "notório" défice de profissionais de saúde.
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