O novo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos afirmou hoje que a instituição “não vai assumir” a gestão do hospital da cidade, pondo assim ponto final numa questão que teve a contestação unânime da Assembleia Municipal.
“Tal como prometemos antes das eleições, a Misericórdia não quer, nem vai assumir, a gestão do Hospital de Santa Maria Maior. É uma questão de honra e de consciência”, disse à Lusa o provedor eleito.
Vítor Coutinho, que toma posse no sábado, acrescentou que a sua primeira medida será comunicar à União das Misericórdias Portuguesas que a Santa Casa de Barcelos já não está interessada na gestão do hospital.
“A gestão deve continuar onde está, nas mãos do Estado, e o que é necessário é que não só o hospital de Barcelos seja reforçado nas suas especialidades e no seu corpo médico, mas também que seja dado andamento ao projecto de construção de novas instalações, há muitos anos prometidas”, acrescentou.
A recuperação da gestão do hospital era uma das bandeiras do provedor cessante da Misericórdia de Barcelos, António Pedras, que sempre se manifestou convicto na concretização daquela aspiração. Pedras recandidatou-se a um terceiro mandato, mas acabaria por perder as eleições para Vítor Coutinho, por 54 votos de diferença.
A decisão da nova Mesa de não querer a gestão do hospital agrada a todos os partidos com assento na Assembleia Municipal de Barcelos. Este órgão já tinha aprovado, por unanimidade, uma moção contra a devolução da gestão do hospital à Santa Casa, considerando que a sua concretização significaria "andar décadas para trás".
Paralelamente, foi dinamizada, pelo Movimento de Defesa do Hospital Público de Barcelos, uma petição popular, que reuniu cerca de 5.000 assinaturas.
"Queremos que a gestão se mantenha na esfera pública, para que Barcelos continue a ter um hospital efectivamente para todos. E queremos também que algumas especialidades sejam melhoradas e reforçadas", disse a porta-voz daquele movimento, Isaltina Coutinho.
A petição foi discutida na Assembleia da República mas acabou chumbada pelos partidos que sustentam o Governo.
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