Chefes de equipa da Urgência do Hospital do Litoral Alentejano demitem-se
DATA
27/02/2015 10:27:31
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Jornal Médico
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Chefes de equipa da Urgência do Hospital do Litoral Alentejano demitem-se

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Os médicos que "têm assumido" a chefia de equipa da Urgência do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, recusaram ontem continuar à frente do serviço, invocando "degradação das condições de trabalho".

Numa carta dirigida ao director clínico do hospital, a que a agência Lusa teve acesso, os médicos apontam "a degradação contínua das condições de trabalho no Serviço de Urgência, quer em termos de falta de material, quer em termos de falta de pessoal".

"Desconformidades sistemáticas da escala de urgência, nomeadamente do Atendimento Geral e do Atendimento Pediátrico", são também anomalias indicadas pelos clínicos, que consideram que "a degradação põe em risco a segurança dos doentes que recorrem ao Serviço de Urgência".

"Apesar de ter havido orientações da tutela para o reforço das equipas de urgência para o cumprimento do Plano de Inverno 2015, e de ter havido reuniões internas ao abrigo desse mesmo plano, não só não se verificou o reforço das equipas, como continuam a ser sistemáticas as desconformidades da escala de urgência, sendo frequente existir um só elemento escalado para o Atendimento Geral durante o dia e durante a noite", acusam.

Segundo os responsáveis, com a passagem da Unidade de Cuidados Paliativos para a Rede Nacional de Cuidados Continuados, vai reduzir-se a capacidade de internamento do HLA, que está integrado na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), agravando a "capacidade de escoamento do Serviço de Urgência".

"O conselho de administração, no âmbito das suas competências, tomou decisões sobre a contratação externa de médicos para o Serviço de Urgência, sem ouvir ou levar em consideração a opinião dos responsáveis intermédios", afirmam.

Os clínicos defendem que tais decisões levaram às "desconformidades" nas escalas de urgência e acusam o conselho de administração da ULSLA de não se ter mostrado "realmente interessado em discutir a problemática".

Indicam ainda acções que levaram a cabo para chamar a atenção para o problema, como a elaboração de um documento no qual "definiram as condições mínimas de pessoal que consideravam necessárias para garantir a segurança e qualidade no atendimento aos doentes", que entregaram à administração no final de Novembro do ano passado.

Os clínicos referem que "têm assumido" a chefia de equipa, "porque muitos deles nunca foram nomeados", "delegando" agora essa responsabilidade no director clínico, Mário Moreira, ao qual compete a responsabilidade da escala do atendimento da Urgência, uma vez que não existe um director neste serviço.

Administração recusa degradação da Urgência

O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano recusou hoje a acusação de "degradação" do Serviço de Urgência do hospital sediado em Santiago do Cacém feita pelos chefes de equipa demissionários.

Em comunicado, o Conselho de Administração (CA) da ULSLA confirma a recepção, na quinta-feira, por parte do director clínico dos Cuidados de Saúde Primários, de um "abaixo-assinado, no qual catorze médicos do Hospital do Litoral Alentejano informam que se recusam a continuar a assumir a Chefia da Equipa de Urgência, alegando não terem condições".

Na carta, os médicos apontam "desconformidades sistemáticas da escala de urgência, nomeadamente do Atendimento Geral e do Atendimento Pediátrico", que o CA da ULSLA recusa, contrapondo com escalas "já elaboradas e aprovadas" para o mês de Março.

"É de salientar que apenas está por aprovar a designada escala de ‘1º Atendimento’, onde faltam completar três turnos e três meios-dias", indica a entidade, esclarecendo que este serviço funciona com recurso a dois médicos prestadores de serviços.

Na falta de um elemento, explica a ULSLA, que abrange os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, "existe uma equipa de médicos especialistas de retaguarda", que inclui cerca de 10 elementos de várias especialidades.

O CA reconhece, contudo, que "existem problemas resultantes, entre outros, da falta de médicos na instituição", o que se reflecte no Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (SUMC), mas também nas restantes valências da ULSLA, incluindo os centros de saúde e os serviços de urgência básica.

A administração refere igualmente que a "orgânica do SUMC" é uma das suas "prioridades", mas que "ainda não foi possível fechar este assunto, dado que existe uma enorme falta de médicos", bem como "uma grande resistência à mudança".

Para assegurar os serviços, a ULSLA diz precisar de 186 médicos, dispondo actualmente apenas de 79.

Os clínicos afirmam que não houve "reforço das equipas", conforme "orientações da tutela", no âmbito do Plano de Inverno 2015, ao que o CA responde que, "até ao momento", não foi necessário "ir além" do primeiro nível do seu Plano de Infecções Respiratórias.

A administração da ULSLA afirma ainda desconhecer "qualquer alteração relevante" no que diz respeito à integração da Unidade de Cuidados Paliativos na Rede Nacional de Cuidados Continuados, apesar de os médicos garantirem que tal irá "agravar a capacidade de escoamento do Serviço de Urgência".

A entidade informa igualmente que está em fase de conclusão o término do projecto de ampliação do SUMC, que irá "criar melhores condições físicas, técnicas e funcionais para o serviço e os seus utentes".

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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