Novas cidades favorecem obesidade, diz especialista no dia do combate à doença
DATA
21/05/2015 17:00:57
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Jornal Médico
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Novas cidades favorecem obesidade, diz especialista no dia do combate à doença

Gorda a comer

A modificação da estrutura das cidades, afastando as pessoas para os subúrbios, deixou menos tempo para a actividade física e aumentou a obesidade, alertou hoje o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Em declarações à Agência Lusa a propósito do dia nacional de luta contra a obesidade, que se assinala no sábado, David Carvalho disse que a situação em Portugal nesta matéria “é preocupante”, com o país a ter, com Malta, as mais altas taxas de obesidade infantil da União Europeia, e também das mais altas em relação aos adultos.

O país tem um milhão de adultos obesos, destacou, explicando que a situação piorou com a mudança da estrutura das cidades, associada a uma modificação de comportamentos.

“Há mais consumismo e menos disponibilidade para a actividade física. As pessoas passam muito tempo nos transportes, têm uma vida mais sedentária, uma tendência para refeições rápidas e ricas em gordura”, disse.

Questionado sobre se não existe actualmente uma maior predisposição para as actividades desportivas David Carvalho considerou que o número dos que praticam exercício não aumentou e que “é difícil chegar aos inactivos”, pelo que era importante haver condições para que as pessoas pratiquem algum exercício na ida para o emprego.

Depois os portugueses, disse, estão a adoptar uma dieta rica em gorduras, deixando de lado as leguminosas. “Hoje feijão e grão é comida de pobre”, frisou. Ao contrário dos países nórdicos – disse – que tinham maus hábitos alimentares mas que conseguiram modifica-los, os países do sul da Europa “fizeram ao contrário”.

E é preciso, salientou, uma mudança que começa com os mais jovens: “somos modelos para os nossos filhos, se os adultos deixarem de comer sopa as crianças também não a comem”.

“Num supermercado o que está ao nível dos olhos das crianças não é a fruta, são os chocolates e os rebuçados. As crianças bebem refrigerantes diariamente, o que devia ser para um dia de festa é um hábito diário. É importante passar imagens positivas da água, de que beber água é bom”, disse.

No sábado, no Ginásio Club Português em Lisboa, vai discutir-se a obesidade como a epidemia do século XXI e a influência do urbanismo.

No início do mês, com base em projecções, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para uma “grande crise” de obesidade na Europa dentro de 15 anos.

No estudo refere-se que em 2030 quase todos os adultos irlandeses vão ter excesso de peso.

“O estudo sugere que a obesidade é uma doença social e a crise económica levou a estes dados. Pena que ainda não se tenha feito também em Portugal. Porque as gorduras, em termos de fornecimento de calorias, são mais baratas do que as frutas e hortícolas”, disse David Carvalho.

Segundo dados da OMS, quase dois mil milhões de adultos do mundo tinham excesso de peso em 2014, dos quais 600 milhões eram obesos.

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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