
Uma maior participação dos cidadãos nas decisões públicas sobre cancro, a criação de uma rede de referenciação oncológica e um novo modelo de financiamento são os principais desafios para os próximos cinco anos na área do cancro.
Estas são as principais conclusões de um grupo de especialistas que a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) reúne no 3.º Think Tank – “Cancro 2020: Velhos e Novos Desafios”.
Os peritos defendem mais participação da sociedade nos diferentes momentos de decisão, mas sublinham que para isso é necessário disponibilizar aos cidadãos mais informação “em linguagem percetível” e formação adequada.
O envolvimento das autarquias como mediadoras da participação do cidadão e a capacitação das organizações e das pessoas para trabalharem em conjunto são igualmente recomendados.
No que respeita às áreas do financiamento e da inovação, os especialistas consideram fundamental desenvolver “modelos de financiamento holísticos e prospetivos”, anualmente revistos, que antecipem a evolução tecnológica e demográfica.
O grupo do Think Tank defende também a aplicação referendada do princípio de consignação da receita dos impostos, uma linha de financiamento da inovação em oncologia diferenciada de acordo com o peso da doença, a contratualização de orçamentos hospitalares plurianuais, que acomodem entrada de novas tecnologias, e um modelo de financiamento baseado em resultados e na valorização de atos específicos.
Relativamente ao acesso a tratamentos e cuidados de saúde, o estudo da ENSP aponta a necessidade de uma “rede de referenciação de modelo matricial e colaborativo”, que passe por um plano oncológico nacional com metas definidas, auditorias clínicas, organizacionais e financeiras, uma unidade de missão e padronização do fluxo do doente e uma base de dados única para o doente oncológico, desde o diagnóstico.
Sociedade deve ter papel mais ativo nas decisões públicas sobre cancro
Mais de metade dos portugueses defendem maior participação da sociedade nas decisões públicas sobre cancro, mas apenas um terço está disponível para tal, pois a grande maioria considera-se incapaz, segundo um estudo a que a agência Lusa teve acesso.
Com base num inquérito realizado em novembro pela GFK junto de mais de 1.200 portugueses, o estudo, que será hoje divulgado no Think Tank Inovar Saúde, pretendeu avaliar as perceções dos portugueses sobre o cancro e revelou que 52% acreditam que a sociedade deve ter um papel mais ativo nas decisões públicas sobre cancro.
Os portugueses consideram ainda que são pouco ouvidos em questões de saúde e em particular sobre o cancro: apenas 10% responderam que “os cidadãos são muito ouvidos”, enquanto 23,8% consideram que são “medianamente ouvidos” e 55% que “não são, de todo, ouvidos”.
No entanto, quando questionados sobre a sua disponibilidade para ter um papel mais ativo na tomada de decisões, apenas um terço se mostrou pessoalmente disponível.
Entre as formas de participação possível, quem respondeu ao inquérito apontou a possibilidade de dar a sua opinião e de ser ouvido, ter maior acesso a informação e ter uma postura mais ativa.
O mesmo estudo mostra que apenas um terço dos portugueses gostaria de participar de forma mais ativa na distribuição do orçamento para a saúde, os restantes dois terços admitem não ter conhecimentos suficientes para o fazer.
Quando questionados concretamente sobre como gostariam de participar, o caminho passa por uma maior representatividade dos cidadãos.
A possibilidade mais escolhida foi a da constituição de grupos públicos de defesa, logo seguida pela criação de um “provedor do doente com cancro” e de um reforço do poder das associações de doentes.
Os inquiridos defendem também mais consultas públicas relacionadas com decisões na área da saúde.
Estas conclusões vão ao encontro das do grupo de peritos convidados pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) para tentar identificar “os velhos e novos desafios” do cancro.
Lusa/Jornal Médico
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