Misericórdia de Santo Tirso diz que ia gerir hospital devido à “degradação dos serviços”

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A Santa Casa de Misericórdia de Santo Tirso (SCMST) vincou que não procurou o Estado para pedir a "devolução" do hospital local, afirmando que este "fê-lo no contexto de uma acentuada degradação dos serviços".

Em causa está um equipamento que o Governo PSD/CDS-PP decidiu transferir para a alçada da SCMST, uma decisão anulada pela atual tutela socialista, num processo que há mais de um ano tem gerado polémica e tomadas de posição quer por parte da autarquia local, quer de sindicatos e diferentes partidos políticos.

Em comunicado a Misericórdia de Santo Tirso reitera que "não procurou o Estado, antes tendo sido este que, há cerca de um ano, no quadro do citado diploma [referindo-se ao DL.138/2013 sobre o regime da devolução dos hospitais às Misericórdias] lhe propôs a devolução da gestão".

"E o Estado fê-lo no contexto de uma acentuada degradação dos serviços do hospital, degradação da responsabilidade de diferentes governos e que é sentida pela comunidade. Degradação quer quanto à qualidade dos serviços prestados, quer quanto às instalações, quer, ainda, pela perda de muitas valências para outras unidades públicas e mesmo em benefício de unidades privadas com fim lucrativo", lê-se na nota.

O hospital de Santo Tirso, distrito do Porto, integra o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA) juntamente com a unidade de Famalicão, distrito de Braga. São atendidos nessa unidade utentes de Santo Tirso, bem como do concelho vizinho da Trofa.

Neste comunicado a SCMST recorda - até porque, lê-se na nota, "muitos tirsenses não o saberão" - o hospital já lhe pertenceu, tendo sido gerido por esta instituição durante décadas. O edifício pertence ainda aliás à Santa Casa, sendo o Estado arrendatário.

"Com o 25 de abril, o hospital foi nacionalizado, o que a instituição aceitou sem ressentimento, reconhecendo, aliás, que durante os anos imediatos a prestação dos cuidados teve uma evolução muito positiva. Durante 40 anos a Irmandade, independentemente de quem deteve o poder político, nunca manifestou qualquer pretensão, não obstante se assistir, havia muitos anos, a uma galopante degradação dos serviços e das instalações", descreve a nota.

Ao expor este historial a SCMST exige "respeito" e garante que em causa não está "passar ou não a gerir o hospital", reafirmando que "nada reclamou", mas manifesta-se disponível.

"E possível fazer muito melhor com menos meios. A SCMST espera que o hospital possa voltar a servir a comunidade tal como ela precisa e merece, para o que será sempre colaborante e ao que não deixará de estar atenta", termina o comunicado.

Lusa/Jornal Médico

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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