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Rui Cernadas
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Os países não se distinguem só pelas bandeiras e pelos hinos.
Distinguem-se pelos seus povos e pela sua história, pela sua cultura e pela força das suas convicções, quantas vezes sobreviventes de guerras e holocaustos.
Marcas que fazem de cada um deles um país diferente e singelo, com características e particularidades que, ou invejamos e pretendemos imitar, ou menosprezamos convencidos de que somos melhores.
Na verdade, se existe uma organização – entre muitas convenhamos – que agrupa todos os países e estados é porque a sua variedade justifica o lema de todos diferentes, todos iguais, ainda que, até a esse nível se perceba como isso é bem mais teoria e aspiração do que prática e realidade.
Como na vida, nem quem nasce e quando nasce é realmente igual, não fosse o peso determinante da genética e do seu poder de moldar destinos e existências.
O país tem ouvido falar nas últimas semanas de investigação e investigadores.
Por um lado, porque se acumulam prémios e notícias sobre feitos extraordinários associados a cientistas ou grupos de investigadores portugueses, quer por obra produzida em Portugal, quer em centros internacionais que, a todos enchem de orgulho e honra.
Por outro, porque numa onda de constrangimento económico e financeiro, talvez até mais de constrangimento social e conceptual, se assiste ao problema da falta de recursos para atribuição de bolsas e programas financeiros de apoio e materialização de projectos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e científico.
Para Portugal e para os portugueses a questão nada tem de nova, sendo transversal nos últimos anos ao sacrifício generalizado das actividades e das pessoas.
Mas a realidade é que o problema do investimento financeiro dos estados na investigação e na ciência, como na educação, obriga a reflexão serena, alargada e abrangente.
Em termos globais, poucos acreditarão que um país que invista menos em ciência e educação possa obter melhores dividendos do que outro que siga uma política inversa.
Mas onde está a razão e por onde passa a verificação dos resultados?
O lema da ciência a sério é exactamente o de observar, de raciocinar e de experimentar na procura de novas verdades e de novos desafios, não de se resignar e voltar para trás.
A ciência, como a educação, precisa de ser articulada com o mundo e com a prática, procurando materializar o aproveitamento das suas descobertas e conclusões dum mundo académico e de pensamento, para uma realidade prática e social, capaz de trazer conhecimento, desenvolvimento e consequências.
Esta relação estreita e permanente entre a investigação e a educação com a vida das populações e dos países será determinante para a consciencialização da importância das primeiras para a vida dos cidadãos, bem como para o reconhecimento dos custos dos investimentos e orçamentos dedicados e empenhados no apoio aos cientistas e investigadores.
O mesmo se diga e passa com os educadores e a educação.
Há que garantir a relação prática entre as coisas.
Alguém admite ou concebe que se possa ensinar alguém a nadar só através de aulas teóricas ou mesmo por intermédio apenas de simuladores ou programas informáticos?
É por isso que a educação carece de objectivos estratégicos que a liguem ao quotidiano das pessoas e das sociedades.
E é por isso, também, que a ciência precisa de se aproximar da educação.
Não existe ciência sem a praticar!
E o país, como todos os países, sabe e sente que os seus dinheiros públicos se lhes escapam como água entre os dedos das duas mãos, sabe e conhece os modos como desaparecem em muitos pontos e sectores da vida e da gestão pública e sente-se no direito de conhecer o que os seus investigadores, bolseiros e universitários pesquisam, publicam, investigam e aplicam…
Lembro-me de Agostinho da Silva e alguns dos seus versos:
“…
Se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia
deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.”
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