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Maria Teresa Cardoso - Especialista em Medicina Interna no Centro Hospitalar de São João; Coordenadora Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna[/caption]
O acidente vascular cerebral (AVC) tem um grande impacto negativo na sociedade e sobretudo nas mulheres. De facto, ao longo da vida, a mulher tem um risco de AVC superior ao do homem. O predomínio do AVC nas mulheres é explicável, em parte, pelo envelhecimento da população e pela maior esperança de vida do sexo feminino. As mulheres têm mais probabilidade de enviuvar e viverem sós antes do AVC e, assim, de serem institucionalizadas após o AVC, tendo uma pior recuperação relativamente aos homens.
A mortalidade por AVC na mulher acima dos 75 anos é também superior à do homem. Em suma, as mulheres são as mais afectadas, particularmente em idades avançadas. É fundamental ter consciência desta realidade e implementar estratégias preventivas adequadas.
A pressão arterial (PA) elevada é o factor de risco modificável mais frequente e relevante para o AVC, e é também mais frequente e elevada na mulher após a menopausa, o que sugere um importante papel hormonal na sua regulação. Verifica-se também uma diminuição do controlo da PA com a idade, mais acentuado na mulher. A redução do sal na dieta traduz-se numa significativa diminuição na PA e o tratamento precoce e sustentado da PA é crítico, pois está associado a uma redução de 38% no risco de AVC em mulheres com mais de 55 anos.
Outro factor de risco major para o AVC é a fibrilação auricular (FA), uma arritmia muito frequente nos idosos, com predomínio nas mulheres e que está associada a um risco de AVC aumentado em 4 a 5 vezes, também mais elevado para as mulheres. Além disso, constata-se que a mulher com FA tem menos probabilidade de receber tratamento hipocoagulante em relação ao homem.
Tendo tudo isto em conta, é essencial procurar esta arritmia em indivíduos com mais de 75 anos, avaliando o pulso, fazendo eletrocardiograma ou outros métodos diagósticos mais específicos. O tratamento hipocoagulante no doente com FA reduz em 60% o risco de AVC estando agora disponíveis no mercado novos anticoagulantes orais.
Nunca é de mais realçar a importância do estilo de vida saudável na prevenção do AVC: actividade física regular, moderação do consumo de álcool (menos de 1 bebida por dia), abstenção do tabaco, dieta rica em frutos e vegetais, grão, baixa em gorduras saturadas e em sal.
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Qual é a relação entre medicina e arte? Serão universos totalmente distintos? Poderá uma obra de arte ter um efeito “terapêutico”?